A reforma tributária já foi aprovada? Entenda o que muda e o que falta definir

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Uma das perguntas mais recorrentes que recebemos aqui na Datecon, no coração do Ipiranga, é: afinal, a reforma tributária já foi aprovada? A resposta curta é “sim”, mas a resposta completa e a que realmente importa para o futuro do seu negócio é um pouco mais complexa. Vivemos um momento histórico de transição, onde as regras do jogo estão sendo reescritas enquanto a partida acontece.

Para o empresário brasileiro, entender o status atual não é apenas uma questão de curiosidade política, mas de sobrevivência financeira. Se você tem lido manchetes conflitantes sobre votações no Senado e na Câmara, é normal se sentir perdido.

Neste artigo, vamos dissecar exatamente o que já está valendo, o que ainda está em disputa em Brasília e, principalmente, como a Inteligência Contábil da Datecon pode ajudar você a navegar por esse mar de mudanças sem naufragar.

O “sim” definitivo: a Emenda Constitucional 132/2023

Quando afirmamos que a reforma tributária já foi aprovada, referimo-nos à promulgação da Emenda Constitucional (EC) 132, em dezembro de 2023. Este foi o passo fundamental. A Constituição Federal foi alterada para permitir a extinção do nosso antigo e complexo sistema tributário.

Isso significa que não há volta. O sistema que conhecemos hoje, baseado em cinco tributos principais sobre o consumo, tem data marcada para acabar. A “espinha dorsal” do novo sistema está aprovada e definida:

  • Fim de 5 Tributos: PIS, COFINS e IPI (federais), ICMS (estadual) e ISS (municipal) deixarão de existir.
  • Criação do IVA Dual: No lugar deles, entram a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços – Federal) e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços – Estadual e Municipal).
  • Imposto Seletivo (IS): Apelidado de “imposto do pecado”, incidirá sobre produtos nocivos à saúde e ao meio ambiente.

Portanto, a estrutura macroeconômica já é uma realidade constitucional.

O “ainda não”: a batalha da regulamentação (Leis Complementares)

Se a estrutura está pronta, por que ainda vemos tantas votações? Porque a Emenda Constitucional definiu o que vai mudar, mas não como vai funcionar no detalhe. É aqui que entra a fase atual, que chamamos de regulamentação.

Para que a reforma saia do papel, o Congresso precisa aprovar as Leis Complementares. São elas que definirão as alíquotas exatas, a lista de produtos da Cesta Básica com isenção, as regras de cashback para a população de baixa renda e as exceções para setores específicos.

Atualmente, dois projetos principais (PLP) estão no centro das atenções e definem se a reforma tributária já foi aprovada em sua totalidade ou não:

1. PLP 68/2024: A Lei Geral do IBS e CBS

Este é o texto mais importante. Ele define as regras gerais de apuração, recolhimento e fiscalização. O texto base foi aprovado na Câmara dos Deputados em meados de 2024, mas segue sofrendo ajustes e emendas no Senado. A discussão gira em torno de quais setores terão redução de alíquota (como carnes, medicamentos e serviços de profissionais liberais).

2. PLP 108/2024: O Comitê Gestor

Este projeto cria o Comitê Gestor do IBS, o órgão que será responsável por arrecadar e distribuir o imposto estadual e municipal. É uma mudança drástica, pois tira a autonomia isolada de cada prefeitura e estado, centralizando a gestão para simplificar a vida do contribuinte.

O impacto prático no setor de serviços e profissionais liberais

Para quem atua na prestação de serviços de advogados, engenheiros, arquitetos, médicos, empresas de TI e marketing a pergunta se a reforma tributária já foi aprovada vem carregada de preocupação com o aumento de carga tributária.

No modelo antigo (atual), o setor de serviços paga, em média, menos impostos sobre o consumo do que a indústria, devido à lógica do ISS e do PIS/COFINS cumulativo. Com o novo IVA (IBS + CBS), a alíquota estimada pode chegar a 26,5% ou até 28%.

Para mitigar isso, as negociações recentes incluíram regimes diferenciados. Profissionais liberais submetidos a conselhos de classe (como CRC, OAB, CRM, CREA) conseguiram, no texto da Câmara, uma redução de 30% sobre a alíquota cheia.

No entanto, é crucial entender que o “Diabo mora nos detalhes”. A forma como sua empresa está enquadrada hoje pode não ser a mais eficiente em 2026. Por isso, a contabilidade para profissionais liberais precisa ser revisada agora, projetando cenários com e sem a reforma.

Cronograma: a transição começa em breve

Muitos empresários pensam: “Se ainda estão votando, só vai valer em 2033”. Isso é um erro perigoso. Embora a implementação total demore, a fase de testes e transição começa muito antes.

Confira o cronograma previsto (sujeito a ajustes finais nas Leis Complementares):

  • 2026: Início da fase de testes. Cobrança de uma alíquota simbólica de 0,9% de CBS e 0,1% de IBS (apenas para calibrar o sistema). O valor pago será descontado dos tributos atuais.
  • 2027: Extinção do PIS e da COFINS. Entrada definitiva da CBS (imposto federal). Aqui, o impacto no fluxo de caixa já será real e pesado.
  • 2029 a 2032: Transição gradual dos impostos estaduais e municipais. O ICMS e o ISS vão diminuindo, e o IBS vai aumentando.
  • 2033: Vigência integral do novo sistema.

Note que em 2026, que está logo ali, sua empresa já precisará emitir documentos fiscais no novo padrão para o período de teste. Se o seu software e sua contabilidade não estiverem integrados, você terá problemas.

O conceito de “Split Payment”: a revolução no fluxo de caixa

Uma das inovações que confirma que a reforma tributária já foi aprovada em termos tecnológicos é o Split Payment (Pagamento Dividido).

No modelo atual, você vende, recebe o dinheiro e, no mês seguinte, paga a guia do imposto. No novo modelo, a intenção do governo é que o recolhimento seja feito no momento da liquidação financeira. Ou seja, ao passar o cartão ou receber um PIX, o banco automaticamente separará a parte do imposto e a enviará ao governo.

Isso acaba com a inadimplência, mas retira capital de giro das empresas. Seu planejamento financeiro precisará ser muito mais robusto, pois aquele dinheiro do imposto não ficará mais “disponível” na sua conta por 20 ou 30 dias.

Preparação é a chave da “Inteligência Contábil”

Diante desse cenário, ficar esperando a aprovação final de cada vírgula da lei para agir é uma estratégia arriscada. A reforma tributária já foi aprovada em sua essência, e a direção do vento mudou.

Na Datecon, com nossa experiência de três décadas atendendo empresas em São Paulo, sabemos que os momentos de mudança legislativa são os que mais geram oportunidades para quem se antecipa e prejuízos para quem se acomoda.

O que você deve fazer agora:

  1. Mapeamento Fiscal: Entender quais produtos ou serviços da sua empresa terão isenção, redução de alíquota ou sofrerão aumento.
  2. Revisão de Contratos: Cláusulas contratuais de longo prazo precisam prever o repasse da nova carga tributária.
  3. Tecnologia: Conversar com seu fornecedor de ERP sobre a adaptação para o padrão nacional de nota fiscal de serviços.

Não deixe para regularizar sua situação quando o sistema já estiver rodando. Se você está em São Paulo e quer garantir que sua empresa atravesse essa ponte com segurança e proteção de lucro, convidamos você a ler nosso guia aprofundado sobre o tema e conhecer nossa atuação local.

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